Claro, não é filme para esquerdóides, nem para politicamente correctinhos, nem para miudagem mal-educada (para estes últimos até será, pois pode ser que aprendam alguma coisa). Enfim, é daqueles filmes que nos permitem encher os pulmões de ar, com um ar de esperança, de esperança num mundo melhor. Afinal, continua a haver quem como "nós" pense. Nem tudo está perdido, ainda. Obrigado e parabéns Clint Eastwood.terça-feira, 31 de março de 2009
Grand Torino, recomendo vivamente!
Claro, não é filme para esquerdóides, nem para politicamente correctinhos, nem para miudagem mal-educada (para estes últimos até será, pois pode ser que aprendam alguma coisa). Enfim, é daqueles filmes que nos permitem encher os pulmões de ar, com um ar de esperança, de esperança num mundo melhor. Afinal, continua a haver quem como "nós" pense. Nem tudo está perdido, ainda. Obrigado e parabéns Clint Eastwood.segunda-feira, 30 de março de 2009
Tristemente maravilhosa poesia, que sendo de outro, só me faz pensar neste Tempo!
Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça
Sophia de Mello Breyner Andresen
sábado, 28 de março de 2009
Problema quase resolvido!
Aqueles que ajudaram a correr com Scolari pelas bandeiras portuguesas que eram obrigados a ver às janelas durante os campeonatos de futebol entre selecções podem ficar descansados. Esse fenómeno não deve voltar a acontecer tão depressa. Para além das bandeiras, o que os de sempre não perdoaram a Scolari foi também a sua verticalidade como homem na defesa de valores em Portugal proíbidos, sobretudo, para quem lida de perto com as massas. Fé, Pátria, Família.sexta-feira, 27 de março de 2009
Humilde homenagem a um daqueles homens... que já vai havendo poucos! Quem alguma vez o ouviu sabe do que falo!
Alfredo Farinha, reputado jornalista português, faleceu esta sexta-feira aos 83 anos. Nascido em Proença-a-Nova a 19 de julho de 1925, fez carreira fundamentalmente em "A Bola", depois de três anos no "Mundo Desportivo". Já depois de reformado não deixou ninguém indiferente com a passagem pelo programa da SIC "Os Donos da Bola", onde foi comentador em 1998. Foi dirigente desportivo - No Estoril ocupou diversos cargos - e escreveu livros sobre futebol - "O Apagão" foi publicado em julho de 2002. O Estado português atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Desportivo e o grau de Comendador. Recebeu ainda, com "muito orgulho", em outubro de 2008 o prémio Prestígio Fernando Soromenho, atribuído pelo CNID (Clube Nacional de Imprensa Desportiva), do qual foi fundador.Mas tomar-nos-ão assim por tão pouco inteligentes!!??
quinta-feira, 26 de março de 2009
quarta-feira, 25 de março de 2009
Exercício de memória (de interesse e gozo pessoal, não percam tempo a ler) - 7.ª (e última) Parte
Esta 7.ª Parte, para já, limita-se à indicação dos últimos destinos em que estive e um ou outro detalhe mais que se justifique. Porquê? Porque, repito, para já, é o que me apetece (desculpem se soa rude). E também porque estas viagens que agora indico, por serem mais recentes, têm menos probabilidade de ficar esquecidas, uma das motivações desta série de posts, conforme enunciei no Exercício de memória (de interesse e gozo pessoal, não percam tempo a ler) - 1.ª Parte.Curso em Inglaterra - Fevereiro de 1997. Três dias em New Park Manor. Presentation Skills, no âmbito da Saatchi & Saatchi.
Reuniões de trabalho em Londres - Outubro de 1997. Fui com a Xana. Excelente hotel.
Viagem aos Estados Unidos (Nova York e Miami) com a Xana - Setembro de 2001. O contexto surreal desta viagem obriga-me a que a situe no tempo e que refira mais um ou outro detalhe. A viagem foi combinada e marcada em Agosto desse ano, 2001, e enquadrava-se numa visita que eu e a Xana ia-mos fazer ao Sérgio, "meio-irmão" da Xana, a viver em Nova York, e ao David, amigo de longa data, a viver em Miami. Eis senão quando, a 11 de Setembro, não é que o Bin Laden se lembra de atirar dois aviões de (e com) passageiros contra as Twin Towers!? Incrível! E nós com os bilhetes já comprados! Partida marcada para 18 de Setembro. Vamos, não vamos!? Quando me foi dito que perdia o dinheiro dos bilhetes, decidi, vamos! Sou mesmo forreta. Neste caso, ainda bem. A viagem foi de uma emoção fabulosa. Desde a descolagem da Portela até à...aterragem novamente na Portela. Passando por Nova York, evidentemente e sobretudo, mas também por Miami, pelas Keys, pela Disneylândia... E os vôos, em que à ida iamos com um muçulmano sentado ao lado, permanentemente a ler o Corão!? Pensámos que a qualquer momento fosse rebentar com o avião. Pensámos nós e pensavam os outros. Todos procuravam bombas por todo o lado. Tudo era suspeito. Agora dá-me vontade de rir. Claro, a Xana teve que ir "arrastada"! E ia grávida (do Alexandre), só soubemos depois, já em Lisboa! É, qualquer dia venho cá contar esta com mais detalhe.
Ida ao Mundial de Futebol na Alemanha - Julho de 2006. Com o Ricardo, de carro até Gelzenkirchen, onde vimos Portugal a eliminar a Inglaterra nos 1/4 de final, nos penáltis. Depois, o Ricardo voltou para Portugal e eu segui de comboio para Munique com o objectivo de ver o Portugal x França, meias-finais, no novíssimo Allianz Arena. Perdemos 0 x 1.
Estadia em Angola (por motivos de trabalho) - 2008. Riquíssima experiência. Não há dúvida, qualquer dia volto cá.
(6.ª parte)
terça-feira, 24 de março de 2009
Vaidade mas não só!
Neste suplemento do jornal Público deram eco a este humilde blogue na coluna "Blogues em papel". O post que consideraram oportuno publicar, que não integralmente, tem o título Não se indigna agora Dr. Mário Soares?, e foi escrito a propósito do anúncio da Antena 1 (que por sinal já foi mandado retirar como é do conhecimento geral). O que o Público aproveitou foi o seguinte: E agora, não se indignam?
http://esplanadaaosol.blogspot.com
Dr. Mário Soares e correlegionários, então não se indignam agora!!!??? O Povo é que tem que se indignar e correr com esta escumalha.
Ainda que confesse alguma vaidade pelos quinze minutos de fama, também não é menos verdade que onde quero chegar é ao seguinte. Os senhores deste jornal, cujo teor é, normalmente, de propaganda esquerdista encapotada, terão gostado da referência ao "Povo" que faço no post. Depois, terão pensado que este tipo de mensagem ajudará os visados, Mário Soares e pandilha, a puxar o (des)governo para a Esquerda. E, vai daí, toca a publicar. Aos menos atentos digo, o "Povo" a que me refiro, não é "Povo" que simpatize com o jornal em questão. E, muito provavelmente, juntamente com a escumalha que é preciso correr, seguiriam muitos dos que nele escrevem.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Haverá!?
domingo, 22 de março de 2009
De assinalar!
sábado, 21 de março de 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009
O antes e o depois!
Josef Fritzl e as diferenças entre Direita e Esquerda.
O monstro austríaco e os monstros portugueses!
Não se indigna agora Dr. Mário Soares!?
quinta-feira, 19 de março de 2009
Viva o Papa!
quarta-feira, 18 de março de 2009
Partido Socialista à la Sócrates ou um imenso Masoch Club
Ainda se ao invés de um qualquer Sócrates tivessem uma Ursula Andress! Eis porque ninguém lhe tira a máscara!
terça-feira, 17 de março de 2009
Regime presidencialista já!
segunda-feira, 16 de março de 2009
Novo Paradigma - Organização política central do Estado e o Território
sexta-feira, 13 de março de 2009
Por um Novo Paradigma, desafio-me e desafio os visitantes!
Por onde anda?
O Euro-Ultramarino foi dos que primeiro me apoiou nesta aventura blogosférica. Regularmente visito-o. Mas desde há algum tempo que não publica nada de novo. Por onde anda? Alguém sabe? quinta-feira, 12 de março de 2009
4 anos de socialismo!
quarta-feira, 11 de março de 2009
Relembrar a Lição de Salazar - 1938
Para assinalar os dez anos de governo de Salazar, foi editada, em 1938, uma série de sete cartazes intitulada “A Lição de Salazar”, distribuída por todas as escolas primárias do país. Estes cartazes fizeram parte de uma estratégia de transmissão de valores por parte do Estado Novo, destinando-se a glorificar a obra feita até então, desde o campo económico-financeiro às obras públicas. Para acentuar a importância do Estado Novo enquanto garante da ordem e progresso do país, os cartazes fazem uma comparação sistemática entre a obra do regime salazarista e a 1.ª República: à desorganização económica e financeira e ao alheamento do Estado democrático e liberal republicano face aos problemas do país, sucede a organização financeira, a melhoria das vias de comunicação, a construção de portos, o ordenamento e progresso social promovidos pelo Estado Novo. Os cartazes acentuam esta ideia a partir de uma imagem cinzenta e triste da época da 1.ª República, enquanto que o “depois” da obra salazarista nos aparece colorido, organizado, moderno. Um dos grandes problemas enfrentados pela 1ª República foi a desorganização financeira, que se traduziu num permanente défice das contas públicas que, por sua vez, foi acompanhado por uma inflação elevada, subida generalizada dos preços e diminuição das salários reais, o que acarretou uma grande subida do custo de vida. Foi, aliás, motivado por esse défice constante, o convite endereçado a Salazar pelo governo de então, para que este ocupasse a pasta das Finanças. A sua política financeira, controlando com extremo rigor todos os gastos dos vários Ministérios, aumentando os impostos e cortando nas despesas públicas, permitiu equilibrar as contas públicas, valendo-lhe o epíteto de “Salvador da Pátria” e esteve na base do convite que lhe foi endereçado em 1932 para que chefiasse o Governo. A obra do Estado Novo foi então glorificada nesses cartazes, salientando sempre a acção de Salazar no sentido de desenvolver o país, ao mesmo tempo que o pacificava em termos sociais. O corporativismo foi a forma de organização económica e social encontrada para ultrapassar os problemas gerados pelo capitalismo liberal e uma forma de ultrapassar a luta de classes, ideia central da ideologia marxista. Ao Estado liberal, abstencionista em matéria económica e laboral sucedeu um Estado intervencionista na economia, aceitando o capitalismo, mas reconhecendo a função social da propriedade, do capital e do trabalho, obrigando os indivíduos a viverem num clima de harmonia social e deixando para o Estado o papel de regulador da vida económica e social. O corporativismo promoveu, assim, a harmonia social, aspecto em que se opunha ao clima de confrontação social da 1.ª República, permitindo uma nova ordem, a justiça social e o progresso de todas as camadas da população. Um país respeitado, com um Estado forte, com uma economia saudável e uma sociedade harmoniosamente organizada foram os objectivos de Salazar. O último cartaz da série, “Deus, Pátria, Família: a Trilogia da Educação Nacional” é uma esplêndida síntese da pedagogia e moral de Salazar. É o mundo perfeito, sem violência, sem vícios, sem protestos, perfeitamente ordenado, traduzindo uma ordem económica, política e social que o Estado Novo considerava perfeitas. A escola foi, assim, palco privilegiado para a transmissão dos valores defendidos pelo Estado Novo.terça-feira, 10 de março de 2009
Juventude orgulhosa!
segunda-feira, 9 de março de 2009
Direita e Capitalismo II
Acabei hoje!
domingo, 8 de março de 2009
5.ª frase da página 161
Paulo Correia, de marinheiro motorista da marinha de guerra portuguesa a vice-presidente da Guiné, mandado, finalmente, fuzilar, por "Nino" Vieira.
Publiquei eu há uns dias atrás um post, "Contava-me hoje a minha mãe...", em que fiz alusão a um criado que os meus pais haviam tido no período em que estiveram na Guiné (no início dos anos 60). Aí referi que esse criado, por quem os meus pais tinham especial estima, havia sido morto, como muitos outros guineenses ex-combatentes, por "Nino" Vieira, logo após a saída dos portugueses da Guiné. Num post posterior, "Sobre "Nino" Vieira uma rectificação devida.", corrigi, uma vez que o responsável pelas tais mortes terá sido Luis Cabral, primeiro presidente da Guiné, e não "Nino" Vieira, que só tomou o poder na Guiné, pela força, em 1980. Isto tudo despoletou uma série de conversas com os meus pais que levaram à seguinte descoberta pela minha parte. O tal criado, sempre foi morto pelo "Nino" Vieira, só que não logo após a saída dos portugueses da Guiné, pelo que expliquei atrás, mas em 1986. E outra descoberta, esta mais impressionante. O tal criado, afinal não o era. Era sim um marinheiro da marinha de guerra portuguesa, de nome Paulo Correia, que exercia a função de motorista, e estava, nesse âmbito, ao serviço dos meus pais. E mais impressionante ainda, pela coincidência, esse malogrado Paulo Correia, viria a ser vice-presidente da Guiné. Tendo feito todo um percursso ascendente no PAIGC, e no governo da Guiné (desempenhou vários cargos ministeriais), só interrompido (definitivamente) com o fuzilamento de que foi alvo. A mando de "Nino" Vieira. No seguimento de um julgamento militar, em 1986, em que foi acusado de conspirar um golpe de estado. A minha mãe conta-me que numa ocasião em que foi com este valoroso Paulo Correia à "Granja", local onde iam abastecer-se regularmente de "frescos", lhe terá pedido que parasse numa tabanca (aldeia) à beira da estrada. O Paulo Correia terá então dito à minha mãe algo como, é melhor não parar, que as coisas estão muito instáveis e pode ser perigoso para a senhora... A minha mãe, que não tinha consciência absoluta do que estava já a passar-se, diz que chegou a casa e foi queixar-se amigavelmente ao meu pai dizendo-lhe, o Paulo não quis parar onde lhe mandei, anda com medo não sei de quê! Pouco depois, não sei se dias se meses, o marinheiro Paulo Correia desertou, não voltando a ser visto. Certamente ingressou definitivamente nas suas actividades de guerrilheiro independentista. Demonstrou, no entanto, sempre, grande dedicação, amizade e carinho pelos meus pais e irmãos, enquanto esteve ao seu serviço. Aqui testemunho interessante da mulher de Paulo Correia. E aqui uma outra interessante menção histórica a Paulo Correia, de onde retirei a fotografia. sábado, 7 de março de 2009
Pedro Amodóvar não se lembraria de melhor enredo!
Direita e Capitalismo.
Hoje faz anos. Parabéns!
sexta-feira, 6 de março de 2009
Troca de correspondência.
Esta troca de mails relata-nos com emoção, a (sua) verdade, sentida de perto, sobre o que hoje se passa na Guiné. Os contornos da morte de "Nino" Vieira, à catanada, e da morte, horas antes, do General Tagmé Na Waié, o seu CEMFA. Este terá dito anteriormente às suas tropas - "se ele ("Nino") me matar de manhã, matem-no à noite". A Guiné, na relatividade do tempo, ontem Portugal.Sobre "Nino" Vieira uma rectificação devida.
quinta-feira, 5 de março de 2009
The very best!
Se há coisa que detesto é a facilidade com que hoje se designa qualquer trivialidade como sendo a "melhor do mundo". Seja no universo do futebol (onde o fenómeno é recorrente), seja sobre outra coisa qualquer. E irrita-me, sobretudo, porque se está mesmo a ver que amanhã, esse valor absoluto, esse "melhor do mundo", já não o será, para dar lugar a outro, ao qual, por qualquer motivo, dará mais jeito atribuir tal designação. Isto para dizer, arriscando poder parecer contraditório, que a série Jerry Seinfeld é, para mim, de facto, senão a melhor, aquela que por muito tempo mais me divertiu e bem disposto deixou (com paralelo apenas nos Trapalhões, série brasileira com a qual muito me ri, por volta dos 10 anos de idade). Ainda hoje, quando faço zapping e passo por um canal que esteja a repor algum episódio do Jerry Seinfeld, é inevitável, paro e fico até ao fim. O sketch acima, Switch, é um desses momentos. A não perder, tenham ou não visto já, digo eu (reduziria apenas o volume das gargalhadas em fundo).
quarta-feira, 4 de março de 2009
Contava-me hoje a minha mãe...
... (esta junção do título ao texto, aprendi-a com a Cristina, a quem saúdo), a propósito da morte do Nino Vieira e do tempo que os meus pais passaram na Guiné, nos anos 60, duas ou três coisas que aqui registo. A primeira, foi que este Nino, agora morto (disse-me ela "quem com ferro mata com ferro morre"), dizia eu, que este Nino Vieira (digo agora eu, paz à sua alma), terá, logo após a saída dos portugueses da Guiné, mandado matar, entre muitos outros, um dos criados dos meus pais, por quem eles tinham especial estima. E, recordando-se desse período, contou-me que na Guiné, por aquelas alturas, o canibalismo existia ainda, não nos centros mais urbanos, onde a influência portuguesa era maior, mas em zonas mais afastadas. E lembrou-se também dos Balantas, tribo que, segundo ela, era conhecida pelos seus jovens mais ariscos. Esses jovens "pilha-galinhas" praticavam pequenos roubos junto das outras tribos. Até seria engraçado não fosse o facto de, quando apanhados, muitas vezes serem...mortos. Depois, dava-se outra práctica, um pouco estranha para os nossos hábitos. Cortavam-lhes as cabeças. E a esses crânios era dada uma utilização algo sui geniris. Serviam de cabaças para comer arroz e outros alimentos. Conta-me a minha mãe. Sabemos que às vezes quem conta um conto acrescenta um ponto. Outras não!terça-feira, 3 de março de 2009
Exercício de memória (de interesse e gozo pessoal, não percam tempo a ler) - 6.ª Parte
Viagem aos EUA, Los Angeles, Califórnia - 1994. Tinha quase (!) 28 anos. Estava meio perdido. Por nada de especial mas por tudo um pouco. Entre outras coisas, sentia a "adolescência" (bem tardia) a escapar-se-me, com tudo o que isso implicava... Entretanto, o meu insuficiente inglês fez-me pensar que seria útil fazer um curso intensivo algures. Ainda para mais porque a agência de publicidade para onde agora iria era uma multinacional inglesa que previlegiava bastante o domínio do inglês. Um curso intensivo num país em que o inglês fosse a língua materna asseguraria melhores resultados. Aprofundei a possibilidade. Visitei uma entidade promotora de cursos de inglês nos EUA. Foi aí que conheci o Bruno. Também ele procurava o mesmo. A única diferença é que ele não sabia se ia para ficar. Decidimos viajar juntos. Decidimos também e em conjunto a escola para onde iríamos (o ELS em Santa Mónica, Los Angeles). O curso teria a duração de um mês, mais exactamente quatro semanas. A Saatchi não levantou qualquer problema em esperar esse mês e mais alguns dias pelo meu regresso. Para eles, o curso de inglês, pago por mim, era um valor acrescentado. E assim partimos, nos finais de Janeiro de 1994, prontos a iniciar o curso que decorreria durante o mês de Fevereiro. Não sem antes fazermos um jantar de despedida com amigos do Bruno e alguns dos meus amigos, no restaurante em que na altura o meu irmão mais velho tinha uma quota, e em que a minha mãe era "gerente". Na Rua de São Caetano à Lapa (tinha um bom bife na pedra). Partimos extasiados (pela experiência que anteviamos e também pela pastilha que tomámos no avião). Recordo-me de ter achado graça, não sei se pelo "êxtase", à rota feita pelo avião. A rota Polar. Permitiu-me ir, durante algum tempo, a observar pela janela os mares gelados da Gronelândia, com o aparecimento sucessivo e cada vez em maior quantidade, de pequenas manchas brancas, que percebi serem icebergs. Chegámos finalmente a LA. Fomos de boleia (com alguém amigo de um familiar meu ou do Bruno que agora não consigo precisar bem) até ao hotel em que ficámos nos primeiros dias, já em Santa Mónica (depois alugámos um pequeno apartamento no bairro de Hollywood, perto do Chinese Theatre). LA não é propriamente uma cidade muito apelativa à vista. A sua arquitectura de betão, excluindo os arranha-céus do centro da cidade, é de facto pouco atraente. Lembro-me dessa primeira impressão. Lembro-me também de sair logo na primeira noite em que chegámos. O Bruno, três ou quatro anos mais novo do que eu, era de uma energia inesgotável. E eu ia a reboque. Para dizer a verdade, pouco contrariado. Talvez, apenas, por vezes, mais cansado. Um acontecimento importante que moldou toda a nossa estadia em LA foi o tremor de terra (um Big One com 6,7º na escala de Richter) que se tinha dado em Los Angeles, poucos dias antes da nossa chegada. Esse earthquake deixou marcas. Mais de 20 mortos e vários edifícios e viadutos destruídos total ou parcialmente. Para nós foi mais uma excitação. Sobretudo, quando começámos a sentir as réplicas, que não sendo o próprio tremor-de-terra original, já davam, e bem, para sentir uma sensação de pânico como nunca antes (ou depois) senti. É algo que se sente nas entranhas (alerta para morte eminente?). Sentimos várias réplicas do tal Big One que foram abrandando com o passar do tempo. Seja como for, evitei sempre, por exemplo, parar debaixo de viadutos quando em fila nas auto-estradas, e outras coisas semelhantes. Na escola onde fizemos o curso intensivo de inglês, o ELS, fizemos vários exercícios de simulação à ocorrência de tremores-de-terra. Comportamentos a ter, saídas ordenadas, locais a evitar (elevadores, claro), locais a procurar (ombreiras das portas), etc...E saímos também, duas ou três vezes, das respectivas instalações, não por mero exercício de simulação mas, de facto, na sequência das ditas réplicas. E quanto ao pânico que senti, observei com curiosidade o facto deles, americanos (na verdade a escola tinha gente de todo o mundo, mas aqui o elemento de referência eram mesmo os americanos), sentirem o mesmo pânico que eu sentia (embora desse para perceber que o tentavam controlar da melhor maneira que podiam). Afinal, nunca se sabe, quando um tremor-de-terra começa, se esse vai ser apenas um pequeno sismo ou se vai ser O Big One dos Big Ones (que pode acontecer a qualquer momento...). Outro aspecto, embora menor, de que me recordo, é a importância que o Super Bowl tem para os americanos. Na final do campeonato de futebol americano pára (quase) tudo. Quase, afinal trata-se dos EUA, onde as pessoas têm (tinham?) vergonha de dizer que estavam de férias ou que gozavam mais de quinze dias de férias por ano (estes americanos são loucos diria Astérix, verdadeiro europeu, embora duma tribo menos alinhada). Durante quatro semanas estivemos e passeámo-nos pela "Grande" Los Angeles. Conhecemos a "noite" de LA, e tudo o resto, tanto quanto nos foi possível. Dos arranha-céus de Downtown, a Santa Mónica, passando por Hollywood, Beverly Hills, Rodeo Drive, Melrose e Bel Air. Marina del Rey, Venice Beach, Malibú (onde tinham já ocorrido grandes incêndios que custaram as casas de muitos "famosos"; e onde o Bruno ia surfar, enquanto eu ficava a ver, das falésias sobre a praia, juntamente com outros locais, rodando entre nós joints, uns atrás dos outros). Aproveitámos os fins-de-semana para conhecer o inevitável Universal Studios e, um pouco mais afastadas de Los Angeles, a Magic Mountain (roller coasters para gente de barba rija) e as montanhas com neve de San Bernardino. Findo o curso (que de facto melhorou o meu inglês, e bastante), propuz-me ficar mais cerca de duas semanas para conhecer um pouco mais daquela região dos EUA. E foi assim que, não com o Bruno que ele não quis ir (já não me recordo porquê), mas com outro colega que conheci no ELS (um italiano de quem, é imperdoável, não me recordo o nome), fui, de carro, passar alguns dias a Las Vegas. Fomos num Kia (não me lembro exactamente mas era uma marca coreana, embora numa versão adaptada aos gostos/posses americanas, com 2.000 cm3 de cilindrada ou algo parecido e mudanças automáticas) que eu e o Bruno tinhamos alugado alguns dias depois de chegarmos a Los Angeles. O percurso entre LA e Las Vegas só por si já valia a viagem. 300 milhas, cerca de 4 horas de viagem, a atravessar o deserto de Mojave. Uma paisagem digna de qualquer filme de cowboys. Chegada a Las Vegas. Muitos neons, mas muitos mesmo. Imponentes hotéis casino abertos 24 horas por dia. A arquitectura desses hotéis casino, e de outras construções, a remeter para grandes ícones universais como a Grande Pirâmide do Egipto, o castelo de Excalibur ou a Torre Eiffel. À frente do hotel casino Mirage, um vulcão entra em erupção, expelindo lava. No Treasure Island, o espectáculo, que se repete de x em x minutos, é uma batalha naval com navios pirata. De encher o olho. Entretanto, alheios a tudo isto, jogadores vindos de todo o mundo ocupam as slot machines, as diversas mesas de jogo ou a inevitável roleta. Fait vous jeux... é o que se ouve (na verdade não me recordo se este francesismo era o termo utilizado mas é o que agora me ocorre). A frequência destas salas de jogo é de uma "democracia" bem à americana. De pessoas em calças de ganga e t'shirt até casais de smoking e vestido de noite, vê-se de tudo um pouco. As bebidas são oferecidas. Basta levantar um dedo e de imediato uma bonita rapariga (ou rapaz) aproxima-se para que façamos o pedido. Minutos depois estamos a beber o que quizer-mos. Claro, embriaguei-me e entornei (acho que uma garrafa de cerveja) em cima do pano da roleta (é verdade!). Recordo-me de não terem sido agressivos comigo (também a mim, beber, não me dá para qualquer agressividade, antes pelo contrário). Remediaram o acidente e o jogo prosseguiu. Apenas tive que ter mais cuidado. Um segundo erro e seria posto fora do casino. Visitámos um rancho de cowboys (recriação para turistas). Afinal estávamos no Nevada. Por sinal, único, ou um dos únicos estados norte-americanos em que a prostituição é legal, proliferando os bordeis. Não recorremos à prestação de tão específico serviço. Penso que por pensarmos em conseguir algo mais natural, e que não nos fosse à carteira. Não aconteceu. Não se sendo jogador compulsivo, ao fim de dois ou três dias Las Vegas perde, não digo o seu encanto, mas, talvez, a razão da visita efectuada. Faltava-nos, no entanto, uma coisa. Aproveitar a proximidade e visitar o Grand Canyon, já no Arizona, cujo vale foi formado pelo rio Colorado, ao longo de milhares de anos. A visita ao Grand Canyon foi feita num pequeno avião bimotor para não mais de dez passageiros. Vistas aéreas fantásticas. Aterrámos nas proximidades, numa pista de terra, e passámos uma tarde a contemplar tão magnífica paisagem. Cenário grandioso. Grandes e vertiginosas vertentes rochosas. A aridez da terra, o pó, os cactos, alguns pássaros num vôo planado, tudo murmura num silêncio avassalador. Só interrompido pelo eco provocado, amiúde, pelo homem. É isso que o Grand Canyon permite e provoca, Contemplação. Quem o pretenda, pode visitar, percorrendo alguns quilómetros de camioneta, a partir da pista de aterragem, uma comunidade de índios Hualapai. Não o fizemos (na altura pareceu-nos demasiado "turístico"... na verdade afastámo-nos dos restantes companheiros de viagem e perdemos a camioneta!.., hoje acredito que assim tenha sido melhor, pelo tipo de ligação que nos permitiu usufruir com o local). Ficámo-nos pela contemplação. Voltámos a Los Angeles. Fiquei então em casa de umas amigas indonésias (nessa altura o diferendo entre Portugal e a Indonésia, provocado por Timor, estava no auge), que tinham estado também no curso do ELS. Referências a Timor, houve algumas. Mas em tom de confraternização. Nunca provocando qualquer tipo de discussão. Em Los Angeles recordo-me ainda de um episódio. Uma noite em que ia sózinho de carro (não sei de onde vinha nem para onde ia; frase estranha esta), passei um sinal vermelho, num cruzamento em que virei à direita (em LA é habitual os sinais de trânsito estarem depois dos cruzamentos o que, mediante sinalização própria para esse efeito, permite virar à direita, mesmo quando o sinal está vermelho). Não era este o caso. Devia ter parado. Quando dou por mim tenho um carro da polícia, K9 Patrol, a fazer-me sinais para encostar na berma. Em termos, digamos, de polícia para potencial criminoso. Parei de imediato, cheio de medo, a tremer (o que me vai agora acontecer, pensei). Vi um polícia chegar-se ao vidro do carro com a mão junto ao coldre da arma . O colega ficou, estratégicamente, a 3/4, na traseira do carro, com uma shotgun na mão, de forma a que eu não o conseguisse ver claramente. Apenas o presenti. O K9 nunca saiu do carro. Gaguejei um...I'm not a criminal, I'm not a criminal. I'm an english student in ELS, St. Mónica. Tentei convencer o polícia de que teria passado o sinal pensando estar num daqueles casos em que seria permitido avançar apesar do sinal vermelho. Mera desculpa. Sabia bem o que tinha feito. O polícia, apercebendo-se do meu pânico, acalmou-me, dizendo que apenas me iria multar. Lembro-me de me dizer (o que não será habitual) que, inclusivamente, caso saisse do país no espaço de x dias (seria um mês ou coisa assim), nem deveria chegar a pagar a multa. De facto, vinha-me embora poucos dias depois pelo que não paguei a tal multa. Ficou o susto. Voltei para Portugal. O Bruno ficou em Los Angeles. Nunca mais o vi! Excepto uma vez em Lisboa, não há muito tempo, em que me cruzei com alguém que me fez lembrar o Bruno. Olhei para trás, ele seguiu. Passados tantos anos... é impossível ter a certeza. Também eu ponderei ficar em Los Angeles. Mas o cenário que tinha pela frente, trabalhar numa pizzaria ou algo do género e ser imigrante nos EUA sem qualquer certeza de conseguir o green card, embora me tivesse chegado a tentar, não me fez ficar. Preferi voltar. Para Portugal, para a minha família, para a Xana, para a Saatchi. Nunca saberei o que teria sido o rumo da minha vida caso tivesse ficado. Mas não é isso mesmo a vida? Tomada de decisões, uma após outra, sem nunca podermos saber o que seria se...Marca indelével desta viagem, trago impressa na pele uma tatuagem de um lobo (loba diz a Xana) que por muito que a minha memória se apague, a mesma sempre me lembrará o período em que mais solitário me senti (até à data) na vida. Qual lonesome cowboy em terras de índios!segunda-feira, 2 de março de 2009
Acordei!
Acordei sem saber onde estava. A última coisa de que me lembro é de ter perguntado o caminho para Braga (o quadro de Courbet despertou-me uma necessidade incontrolável de para aí me dirigir; faz-me lembrar aquela atracção inexplicável que o personagem interpretado por Richard Dreyfuss sentia no filme Contactos Imediatos do Terceiro Grau). E o mais estranho é esta tatuagem nas costas que, iria jurar, não tinha antes de sair de casa!












